PETAR… Achei que ficaríamos ali, no meio da mata, indefinidamente.

Estrada entre Apiaí e Iporanga - PETARvista da estrada próximo ao PETAR

 

“… Aguardamos uma oportunidade para retornar, mesmo que seja para um novo tombo!”

 

Em Janeiro de 2016, eu, a Helô, a Joana (a caveirinha) e nossa Bruta (moto XT 600) resolvemos fazer uma viagem sem roteiro, horários e etc. – Dispúnhamos de 5 dias. Quase no momento da partida resolvemos que o primeiro destino seria o PETAR (Parque Estadual Turístico Alto do Ribeira) para visitar as cavernas e que acamparíamos próximo ao parque.

A XT600 pronta para a estrada

A XT600 pronta para a estrada

A Bruta já apresentava sinais de depressão há tempos por só rodar no asfalto. Quase pulou de alegria ao saber do primeiro destino, pois teríamos um trecho de aproximadamente 30 km de terra, entre Apiaí e o bairro Serra.

Viagem ao Petar de moto

A Joana em Iporanga – SP

Saímos de São Paulo às 14h  e chegamos em Apiaí já anoitecendo, por volta das 20:00hs.

Com fome, paramos na primeira lanchonete que encontramos aberta na região do portal – Lanchonete Portal . Como já era noite, não quisemos perder muito tempo procurando restaurantes pela cidade.  Acabou sendo uma escolha bem legal: pessoal muito simpático e atencioso, sem falar nos salgados, muito gostosos.

Apiaí - SP Portal - Rastro da Serpente

 

Inicialmente pretendíamos seguir no mesmo dia até um camping, em Iporanga, mas o pessoal da lanchonete nos desencorajou, falando que a estrada era de terra e que, devido às chuvas e condições da estrada (principalmente por causa dos trechos onde haviam caído barreiras) o ideal seria seguirmos viagem somente durante o dia.

Para nos hospedarmos, indicaram um pesqueiro, que fica a aproximadamente uns 4km dali – Pesqueiro Rancho Dourado. Lugar barato, simples, mas bem acolhedor.

Decidimos pousar em Apiaí, um rapaz que estava na lanchonete se prontificou a nos guiar até o pesqueiro, que fica no caminho para Iporanga.

Nesse momento começamos a sentir que estávamos longe da cidade grande, num lugar onde as pessoas se ajudam sem o menor interesse e isso era só o início de uma acolhida gostosa, comum nas pequenas cidades. Mais desse sentimento ainda estava por vir.

Ao chegar no  pesqueiro fomos recebidos pelo proprietário, igualmente simpático e atencioso. Um lugar simples e que ficava mais fresco noite adentro. A lua iluminava o lago… Momento relaxamento,  regado a uma maravilhosa caipirinha acompanhada de isca de peixe. Sentados praticamente à beira do lago; sapos e cachorros à nossa volta e o som de água correndo ao fundo!

Pesqueiro Rancho Dourado em Apiaí _ SP

 

Ah… Maravilha!

No dia seguinte levantamos cedo, tomamos café e montamos a Bruta para seguir para o Bairro Serra, em Iporanga.

Antes de partir conversamos com o proprietário do pesqueiro sobre a estrada: 32 km até o bairro Serra, e estava boa. Explicou que a maior parte é de terra batida, mas alguns trechos são de asfalto ecológico, e nos alertou sobre as quedas de barreiras em alguns pontos – não havia impedimento da via, mas ainda tinha muita lama.

Lá fomos nós, devagar porque a Bruta estava pesada e os buracos tipo panela são cruéis, principalmente porque quando desviamos de um, damos de cara com outros dois…

Confesso que durante o trajeto, apesar dos buracos e deformações do piso devido à água que corre constantemente, me sentia mais seguro nos trechos de terra do que onde havia o tal do asfalto ecológico, que mais parece um concreto: quando está seco é bom, mas molhado e coberto com um espelho de lama, fica um “quiabo”.

Demoramos um pouco menos de 1 hora para chegar no Bairro Serra. Cortado pelo rodovia, é desses locais que, quando percebemos que chegamos, ele já acabou… Retornamos e resolvemos seguir uma placa que indicava o camping do Benjamim, onde ficamos.

Viagem de moto ao Petar, acampamento em Iporanga - SP

Acampamento no bairro Serra em Iporanga

 

Depois de muita diversão instalando a barraca fomos procurar um guia para as visitas às cavernas do Petar, para visitar as cavernas é obrigatório estar com um guia autorizado.

Encontramos o restaurante do Abílio, que havia sido indicado pelo pessoal do camping como sendo o lugar onde conseguiríamos o guia. Para chegar ao restaurante havia uma subida bastante íngreme – por segurança pedi para a Helô descer da moto e esperar ali.

Em não mais do que 5 minutos voltei com todos os detalhes para conversarmos, só que não…

Ela não ia ficar ali parada, esperando… Estava do outro lado da rua tomando cerveja com um grupo de caras na frente de um boteco.

Era um grupo de moradores locais e acabei me juntando a eles.

Um desses moradores é um guia autorizado, então combinamos o passeio para o dia seguinte. Como lá sinal de celular e internet são muito precários e tanto o guia quanto o camping e todo o resto só aceitam pagamento em dinheiro (somente um mercadinho aceitava cartão), então precisamos buscar dinheiro em outra cidade.

Encaramos de novo a estrada até Apiaí e seguimos para Adrianópolis, seguindo pelo Rastro da Serpente que, mesmo com chuva em alguns momentos, foi delicioso! Tão gostoso que decidimos que saindo do Petar iriamos até Curitiba, só para rodar pelo Rastro da Serpente até o fim.

Estrada para o PETAR entre Apiaí e Iporanga

Estrada para o PETAR entre Apiaí e Iporanga

O retorno de Adrianópolis para o Bairro Serra foi mais complicado do que a ida, pois caiu uma chuva muito forte, e a estrada era lama pura!

O dia seguinte amanheceu nublado, acordamos cedo para encontrar o guia na entrada do Núcleo Santana, que fica a 3 km do camping.

No PETAR há centenas de cavernas, mas apenas algumas são abertas a visitação.

Durante a visita das cavernas caiu uma chuva muito forte e resolvemos parar porque as trilhas de acesso às cavernas ficariam mais escorregadias e enlameadas em alguns locais. Quando a chuva diminuiu, decidimos voltar para o camping porque a estrada poderia ficar pior com o passar do tempo.

Nesse momento usávamos roupas leves e tênis, o que era adequado para o passeio nas cavernas, mas não para andar de moto naquelas condições de piso. Vestíamos apenas as jaquetas com proteções e talvez por instinto, guardamos as camêras no baú da moto.

No retorno para o camping em um dos trechos de asfalto ecológico havia muita terra molhada, e acabamos caindo. Num primeiro momento fui ver se a Helô estava bem e só depois comecei a ver o que tinha ocorrido comigo: tive um dedo da mão esquerda fraturado e o joelho esquerdo bastante machucado; a Helô não teve nada sério, apenas muitos arranhões no joelho.

O que ocorreu na hora do acidente é que estava conduzindo pela faixa mais à esquerda, pois na direita havia montes de lama. Ao avistar um trecho em que a encosta tinha desmoronado (reduzindo a largura da faixa da esquerda), resolvi voltar para a direita… Nesse momento perdi o controle da moto.

Eu não tinha condições de levantar a moto e muito menos pilotar. Naquele lugar passam poucos veículos, o celular não funciona e estava muito longe para caminharmos, então aguardamos passar algum veiculo. Muita dor, sem conseguir andar direito, sangrando, a moto caída no chão… Confesso que a sensação de impotência me deixou com medo!

Por alguns instantes achei que ficaríamos ali, no meio da mata, indefinidamente.

Não demorou muito e um caminhão de gás que estava subindo sentido Apiaí parou para nos ajudar. Eram 2 pessoas no caminhão. Quando viram que, apesar dos ferimentos nós estávamos bem, nos ajudaram a levantar a Bruta – Um alívio ao ver que ela só tinha sofrido alguns arranhões.  O pior tinha ocorrido com a Joana, uma grave torção no joelho esquerdo.

Viagem de moto ao Petar em Iporanga - SP

A Joana após o acidente

Um dos ocupantes do caminhão se prontificou a levar a moto e deixar no bairro onde estávamos acampados; O motorista ficou conosco aguardando até que um outro veiculo, que subia, retornou para nos levar até o Bairro. Assim que chegamos, Jurandir, o dono de uma agência de Turismo local – Parque Aventuras (www.parqueaventuras.com) prestou socorro e chamou uma ambulância do PS de Iporanga.

Nesse momento percebemos o quanto as pessoas estavam dispostas a ajudar e como em lugares assim a convivência é mais próxima. O rapaz do caminhão interrompeu sua atividade para levar minha moto, mesmo dizendo que nunca havia pilotado uma moto daquelas e sabendo do risco de nova queda, e depois ainda teria que voltar para Apiaí de ônibus ou tentar uma carona. Deixou minha moto na pousada da Diva, lugar que não tinha o menor vinculo conosco e mesmo assim guardaram até que fossemos buscar. O Jurandir nos acolheu na sua agência sem termos utilizado os seus serviços e ainda se preocupou em guardar nossas roupas sujas de lama e sangue, deixando a agência aberta até retornarmos do PS.

 

Por isso que afirmo: Existem mesmo anjos na estrada. E aprender a acreditar e confiar neles foi a lição dessa viagem!

Sentimo-nos acolhidos e seguros com o carinho das pessoas durante todo o tempo e aguardamos uma oportunidade para retornar, mesmo que seja para um novo tombo!

 

Agora deixo aqui algumas dicas e alertas para quem pretende viajar de moto para o Petar:

Ao viajar para esta região leve dinheiro em espécie, poucos lugares aceitam cartões principalmente porque a internet é muito ruim e os bancos ou caixas eletrônicos são afastados.

Durante a época de chuvas é preciso ter cuidado porque os deslizamentos são comuns nessa região.

Equipamento de proteção é obrigatório, temos certeza de que se não estivéssemos com as jaquetas com proteções teríamos lesões mais sérias.

 

E você… Já passou algum perrengue durante uma viagem de moto? Conte sua história aí nos comentários!

 

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Ah… Para conhecer um pouco mais sobre as regiões de cavernas, clique aqui e acesse o texto “Sobre Cavernas e o Petar”

 

 

 

Readers Comments (2)

  1. Então a dica é evitar a época de chuvas, se for possível. Mas acredito que foi uma viagem muito boa.

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