Sobre CAVERNAS e o PETAR

Passeio de moto. Viagem de moto para visitar as cavernas do PETAR, SP. Interior da caverna

Cavernas são ambientes carregadas de mistério e beleza, e que nos colocam em contato com uma natureza escondida abaixo da superfície da terra.

Bom, nem todas as cavernas estão tão abaixo da superfície. Na verdade, as que são comumente visitadas por turistas e estudantes possuem um acesso bem fácil através de aberturas superficiais. Cavernas que são muito exploradas comercialmente possuem até mesmo estacionamento na porta, como a caverna do Diabo, em Eldorado, por exemplo.

 

Mas o que são cavernas?

Alguns autores só consideram caverna aquela cavidade natural com mais de 20 metros de desenvolvimento horizontal ou mais de 10 metros de desenvolvimento vertical. Assim, não consideram cavernas os abrigos, tocas e fossos.

Em algumas regiões do Brasil, utiliza-se o termo GRUTA para cavidades com pelo menos duas entradas, e CAVERNA para aquelas com uma entrada só.

 

Como se formam as cavernas?

As cavernas são formadas devido a diversos processos geológicos, mas a água é sem dúvida um dos fatores mais importantes para a formação das galerias, salões e espeleotemas (formações rochosas como estalactites, estalagmites, ect).

Acho que todo adulto que cursou pelo menos algumas séries do ensino fundamental se deparou com o tão famoso “Ciclo da Água”.

Rsrsrsrs… Não se preocupe, este texto não é um trabalho… Só estou relembrando como a água circula na terra e atmosfera para que você compreenda porque sua ação é tão importante na formação das cavernas!

Diagrama mostrando o cliclo da água

 

Assim, vemos na figura acima que parte da água que evaporou e voltou à superfície na forma líquida se infiltra, por ação da gravidade, através de porosidades no solo e nas rochas (através de fendas ou de rochas permeáveis) e acaba se acumulando no que chamamos de zonas saturadas (região onde estão localizados os lençóis freáticos).

Diagrama mostrando dinâmica de infiltração da água no solo. Permeabilidade do solo

 

Ainda devido à gravidade, essa água circula na região freática e seu destino final é o oceano. Aqui estou falando de regiões que estão acima do nível do mar… Regiões de montanhas, certo?

A grosso modo, a água que infiltra reage com os minerais das rochas e, conforme segue em direção ao oceano, carrega consigo os minerais dissolvidos.

Formam-se nas rochas algumas galerias que estão agora preenchidas com água (uma vez que a água foi “escavando” caminhos através da dissolução dos mineiras). Temos então cavernas preenchidas com água (Talvez você conheça alguém que pratica o esporte de mergulho em cavernas)

Agora imagine a variação das chuvas durante as estações… Em estações secas não temos muita água para infiltrar no solo e reabastecer a zona de saturação.

Vá mais longe em sua imaginação e veja que no decorrer de milhares de anos muitas dinâmicas alteraram a formação da crosta do planeta e agora o nível de água subterrânea já não está mais no mesmo nível que antes. (veja a figura abaixo)

Diagrama mostrando dinâmica de infiltração da água no solo. Formação de cavernas

 

Formaram-se então imensas galerias vazias de água, ou com pouca água na forma de pequenos rios que correm em seu interior… São cavernas que podemos visitar a pé!

A região de PETAR é assim!

Mas fique atento… Em algumas cavernas, na época de chuva, por aumentar a infiltração de água, os rios internos sobem e alguns chegam a não dar pé para adultos de estatura média.

 

Sobre o PETAR

 

O PETAR está localizado na região do Vale do Ribeira, no sul do estado de São Paulo, entre as cidades de Apiaí e Iporanga.

Em uma área de quase 36 mil hectares, podemos encontrar uma das áreas mais preservadas da Mata Atlântica do Brasil. Devido ao alto nível de preservação da região, o PETAR abriga espécies da Mata Atlântica típicas de matas primárias (vegetação com alto grau de preservação, quase sem intervenção humana, com árvores entre 25 e 30 metros de altura), como canela, cedro e palmito juçara.

São mais de 300 cavernas no local, mas a visitação é permitida somente em algumas de núcleos específicos. Muitas cavernas não apresentam condições necessárias para visitação do público menos preparado, ou podem ser perigosas até mesmo para os estudiosos.

 

Formação de espeleotemas – Estalactite, estagamite e mais…

 

Diagrama mostrnado a formação de cavernas. dinâmica de infiltração da água

 

Bom, quando pensamos em visitar cavernas, logo pensamos nas formações maravilhosas e únicas – Estalactites, estalagmites, cortinas, colunas, travertino…

Verdadeiras obras de arte esculpidas pela natureza por milhões de anos. Por essa razão é que os locais são protegidos e a visitação só pode ser realizada com guias ambientais, que além de nos orientar sobre os cuidados e perigos das cavernas, também ficam atentos para que esse patrimônio não seja alterado pela ação humana.

Voltando à questão da permeabilidade da rocha que está entre a superfície e o interior das cavernas…

Conforme a água vai penetrando através do solo e rochas, dissolvendo os minerais e esculpindo o relevo terrestre, essas gotas de água que por ação da gravidade seguem descendo, vão gotejando dentro das cavernas.

Imagine aqui gota a gota, escorrendo bem devagar… Essas gotas possuem minerais dissolvidos. Esse mesmo material que foi dissolvido, ao entrar em contato com teto, paredes e pisos das cavernas, vai sendo depositado e formando um conjunto de formas variadas. São os espeleotemas.

Detalhe de gota na ponta da estalactite

 

 

Os mais frequentes são os que se formam por gotejamento da água de infiltração:

  • Estalactites : que se formam a partir de gotas que surgem de fraturas nos tetos e crescem em direção ao piso, que iniciam como canudos com anéis microscópicos de sedimentos e depois vão se alargando e aumentando de tamanho.
  • Estagmites: Crescem do piso em direção ao teto com o acúmulo de materiais (carbonato de cálcio), precipitado pela gota após atingir o piso.

As Cortinas são figuras formadas em tetos inclinados, em que a água não goteja, mas ao escorrer sempre pelo mesmo caminho ao longo do teto, cria finas paredes de rocha que aos poucos engrossam em forma de cortinas cheias de ondulações e drapeados.

Outras formações como represas de travertino, flores (não como as conhecemos, mas de minerais cristalizados), escorrimentos, são observáveis em cavernas presentes em regiões cársticas.

Viagem de moto para visitar as cavernas do PETAR, SP. Detalhes das formações das cavernas

 

Algumas vezes em regiões de cavernas, de tanto a água dissolver o material rochoso, o teto da caverna fica mais fino e acaba colapsando e o material que está acima do teto da caverna cai para seu interior. Na superfície da terra o que se observa são imensas áreas, meio arredondadas, afundadas (com o tempo acabam sendo cobertas por vegetação ou enchem de água, formando lagos). Essas são as dolinas.

 

No Brasil, algumas regiões de cavernas são mais conhecidas, possuem estrutura para o turismo. Vale a pena visitar quando tiver um tempinho! Nós pretendemos visitar todas, mas essa viagem de moto demanda tempo e dinheiro… Não vai ser nos próximos dias rsrsrsrsr.

 

– Caverna do Diabo –

Interior da Caverna do Diabo. Caverna para visitação turística em Eldorado, SP

Foto do site autopistaregis;com.br

Em Eldorado, SP. É uma caverna também no Vale do Ribeira, mas se tornou em ponto turístico bastante comercial. Seu acesso para carros e motos é bastante bom, através de rodovias. Seu interior é todo iluminado e possui piso suspenso para facilitar a locomoção dos turistas pelo interior da caverna. É linda, mas confesso que prefiro as regiões mais “selvagens”. Para quem quer visitar cavernas e curte o estilo custom, por exemplo, que acaba prejudicando o acesso por estradas de terra, pode viajar de moto até a Caverna do Diabo!

 

– Cavernas Em Bonito, MS –

Gruta Lago Azul, em Bonito, MS. Detalhes do interior da gruta. Viagem de moto

Também existem cavernas para serem visitadas. A região possui pacotes para mergulho em cavernas e flutuação. A Gruta do Lago Azul é uma ótima opção de passeio.

 

– Chapada Diamantina, na Bahia –

Interior da caverna Poço Azul, em Chapada Diamantina. Caverna para visitação turística

Foto de Rodrigo Galvão, www.guiachapadadiamantina.com.br

Também é uma região de visitação a cavernas. A caverna do Poço Azul é toda inundada por águas cristalinas e azuladas. A profundidade é de 16 metros e o bacana é poder flutuar com máscara e snorkel para ver as rochas no fundo da lagoa.

 

– A Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso –

Interior da Aroe Jari, na Chapada dos Guimarães, MT. Caverna para visitação turística em Eldorado, SP

Foto de Chico Valdiner, www.feriasbrasil.com.br

Aroe Jari é o nome da principal caverna do complexo e da maior gruta de arenito do Brasil, com 1.550 metros de extensão. São, ao todo, três cavernas interligadas por trilhas: Aroe Jari, Lagoa Azul e Kyogo Brado. Esse é um dos passeios mais bonitos da Chapada dos Guimarães. A Aroe Jari guarda uma pequena cachoeira que despenca do seu teto. A Lagoa Azul tem uma lagoa natural de 6 metros de profundidade e com águas extremamente cristalinas. A Kyogo Brado é na realidade um grande corredor de 270 metros de extensão, com iluminação constante vindo das duas entradas.

 

– São Domingo, GO –

Interior da caverna Terra Ronca, em Goiás. Caverna para visitação turística

Foto do site viajeaaqui.abril.com.br

Possui mais de 250 cavernas (secas e molhadas). Terra Ronca é o nome da caverna mais importante do complexo. A sua beleza começa logo na entrada. A boca atinge 96 metros de altura e 120 metros de largura. Em seu interior, salões de mais de 100 metros de altura são um espetáculo. Uma vez por ano a caverna é o palco da cerimônia religiosa de Bom Jesus da Lapa, e o local se transforma em uma verdadeira catedral esculpida pela natureza.

 

O que levar para visitar cavernas:

  • Utilize roupas que ofereçam uma certa proteção, mas que sejam leves… Calças compridas e calçados que possuam solado grosso e antiderrapante que não se soltem facilmente. Blusas com mangas. (Normalmente nesses locais nem é permitido a entrada com bermudas e chinelos)
  • Repelente
  • Protetor solar (para as caminhadas pelas matas até chegar à entrada das cavernas)
  • Se você tiver, bastões de caminhada ajudam bastante!
  • Dinheiro para pagar a entrada (dificilmente aceitam cartões)
  • Se não tiver contratado um pacote com uma agência de viagens, procure por guias locais autônomos
  • Agências de viagem oferecem em seu pacote capacetes. Mas informe-se. Sem esses acessórios, não é permitida a entrada
  • Cavernas são ambientes escuros. Sem iluminação, não é possível andar em seu interior. Lanternas de capacete são ideais, mas leve também lanternas de mão para poder iluminar teto, chão, e também para servir como um backup. Leve jogo de pilhas extra. (Lugares muito turísticos como a Caverna do Diabo já possuem o interior iluminado)
  • Leve seus pertences em sacos impermeáveis, dentro de mochilas presas nas costas – importante para manter as mãos livres. Se possível, deixe carteira e outros pertences importantes em seu veículo ou no hotel. Sempre existe o risco de cair alguma coisa nos rios!
  • Lanche para o passeio. Normalmente você passará o dia visitando várias cavernas… Leve lanches leves e práticos. Sanduíches, frutas, barrinha de cereais, suco e água. Leve também um saco para lixo – não é legal deixar marcas pelo caminho, certo?! Se você fumar, leve sempre junto um bota-bituca (clique aqui e veja onde comprar)

 

É isso aí… Andarilhar também é cultura!

Espero ter sido útil

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Veja mais imagens de cavernas do PETAR

 

 

About the author

Heloisa Gaspar

Analista de SEO por profissão. Motociclista por opção...

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