Descendo de Cunha a Paraty, pela primeira vez, à noite… Affff (jul/16)

Viagem de moto de SP a Paraty. Preparando a câmera gopro, na estrada, antes de chegar a Cunha

A estrada Paraty-Cunha já pode ser utilizada para descer a serra em direção a Paraty… Legal!

“Precisamos mesmo ir a Paraty para ajudar a equipe do Portal www.paraty.com.br na cobertura da FLIP, então vamos antes, registrando com calma tudo o que pudermos da Paraty-Cunha!”

 

Estrada de Cunha a Paraty à noite. Trecho dentro do estado de SP

 

Bacana, heim!? Só que não…

 

Saímos nós de Sampa, na terça-feira, hora do almoço, sentido Paraty. Daria tempo tranquilamente de chegar a Paraty ainda com a luz do dia, não fosse o problema que nossa moto apresentou, nos forçando a uma parada em Cunha para reparos!

Esse era o único roteiro de São Paulo a Paraty que ainda não havíamos feito. Como sempre descemos cheios de bagagem e a moto pesada, na maior parte das vezes em estações chuvosas, e, apesar da moto (XT), não tivemos coragem de descer por lá antes das obras terem sido concluídas.

 

Obras de recuperação da serra de Cunha a Paraty

 

Para quem não sabe, no ano de 2009 a região sofreu com um temporal e a estrada, principalmente no trecho da serra ficou completamente comprometida devido a barreias caídas e trechos do piso que foram levados pelas fortes chuvas.

 

Estrada Paraty-Cunha antes das obras de recuperação

Foto do site http://www.falcononline.com.br/

 

Mas agora, com a conclusão das obras no trecho da Serra entre Cunha e Paraty, optamos por esse caminho!

 

Chegando em Cunha, SP. Viagem de moto a Paraty

 

Um pouco antes de chegar em Cunha, a moto começou a falhar… Entrando em Cunha, nos indicaram um mecânico, o Martins… Poxa, foi muito legal. Aliás, toda vez que aconteceu alguma coisa e precisamos de socorro, fomos muito bem atendidos – em diversas cidades. É de se elogiar a forma como a primeira preocupação deles é socorrer um irmão motociclista!

 

Viagem de moto pela Paraty-Cunha. Mecânico que nos prestou socorro em Cunha

San Martins Motos

 

Adoramos o atendimento que nos deu! Além de uma simpatia contagiante, me pareceu ser um mecânico de motos bastante competente! Ao ouvir os sintomas da paciente, ele imediatamente iniciou o processo de ressuscitação. Bom, ele deu uma arrumada, mas não resolveu o problema… Precisaria de mais tempo para isso (e também alguma peça que não possuía no estoque).

Oficina organizada e muita boa vontade. Muito legal. Ficamos conversando com ele um tempão!

Então #ficaadica… Se você estiver pela região de Cunha e precisar de um suporte mecânico, pode procurá-lo:

San Martins Motos

R. Daher Pedro, 570 – Centro – Cunha – SP

Tel 3111-3367

 

Viajar de moto é tudo de bom, mas é preciso sempre estar atento a todos os sinais enviados pelas motocas!

Bom, resolvido o problema, seguimos nossa viagem.

Final de tarde… Ao parar num posto, um policial nos alertou para esperar uns 2 ou 3 carros para descer a serra juntos… Somente precaução, disse ele.

Lógico que não juntou carro algum, e lógico que descemos assim mesmo… Acho que o comentário foi somente para criar SUSPENSE!

Não conhecemos a estrada e, portanto, não sabemos como são as curvas, nem em quais pontos apareceriam buracos, um trecho de terra… Medo. Eu fiquei muito tensa! O Carlos também estava receoso.

A moto, extremamente pesada, com 3 baús com peso muito acima do recomendado. Equipamentos, barraca, sleepings, … (Normalmente ficamos hospedados com a equipe do portal, mas desta vez resolvemos acampar). Fora a quase inexistente chance do problema da moto se reapresentar.

 

Iniciamos a descida com um último suspiro dos raios de sol, que rapidamente se perderam na escuridão da mata.

Sabíamos que seriam cerca de 9km de serra, mas não o quanto faltava para chegar a Paraty, nem a condição da estrada. Devagar, de noite… 9 km de serra parecem uma viagem!

Iluminação zero, a mata fechada não permite ver muito mais do que o início da curva logo à frente…

 

Estrada de Cunha a Paraty à noite. Trecho dentro do estado de SP

 

No início da estrada, ainda em São Paulo, a estrada era sinalizada, olho de gato… Bem tranquilo.

Após a mudança de SP para RJ, a sinalização sumiu. Nem linha de divisão de pista, nem linhas para marcar o meio fio. As curvas apareciam de repente e os freios eram acionados constantemente.

Medo de surgir alguém do meio do mato (durante as obras, soubemos de vários relatos de assaltos na região da serra). Affff

 

Viagem de moto pela Estrada Paraty-Cunh, à noite. Divisa de estados São Paulo e Rio de Janeiro.

 

A pior parte foi quando acabou o calçamento (após a serra). As curvas continuam, mas com um asfalto que mais parecia estrada de terra, cheio de buracos… Foi a parte mais tensa da viagem. De moto sempre tomamos mais cuidado nesses trechos mais acidentados. Sem dúvida, o trecho mais travado da Paraty-Cunha, íngreme e com mata fechada.

 

Viagem de moto pela Estrada de Cunha a Paraty à noite. Início do trecho com o novo calçamento.

 

Mesmo em primeira e segunda marchas o freio traseiro esquentou e ficamos órfãos. Mesmo intercalando o uso dos dois, chegou uma hora que tivemos que parar na estrada. No meio do nada, no escuro… Desligamos o farol para economizar bateria (ficamos somente com a lanterna da moto) – pensa no escuro; pensa no medo… Estava pior!

 

No vídeo dá para ver um pouquinho como é viajar de moto por essa estrada à noite…

 

 

Quando finalmente o freio esfriou (o fluído, segundo o Carlos) prosseguimos. Um carro que nos alcançou, acho que na tentativa de nos ajudar com seus faróis, ficou logo atrás… só que o farol fica ofuscando a visão, e isso atrapalhou um pouco mais. Depois de um tempo nosso pretenso salvador nos ultrapassou e seguiu sua viagem.

Foi quando avistamos uma luz… Era um restaurante. A aparência era meio sombria (à noite), um estabelecimento sem luxo algum, somente com uma pessoa atendendo no balcão. Um lugar que, não pararíamos normalmente à noite, mas precisávamos dar uma relaxada.

Fomos atendidos pelo simpático Barão. Ele até nos deu um cigarro pois o que tinha à venda no lugar era daqueles péssimos (se é que algum cigarro é bom!). Ficamos um tempo conversando com ele… Voltamos no dia seguinte para almoçar lá – comida muito gostosa. Um restaurante com um preço bem mais razoável do que a maioria que existe na região. Pena que não tenho fotos do local à noite.

 

Restaurante do Barão, na Estrada de Cunha a Paraty

 

Ele nos deu algumas dicas da estrada, de um trecho mais perigoso que encontraríamos dali prá frente. A gente conhece pessoas bacanas nas horas mais inesperadas!

Seguimos então até Paraty, paramos para tomar café no local onde paramos sempre, logo na entrada da cidade. E daí, para o camping para montar a barraca.

Depois do jantar, saboreando uma deliciosa e merecida caipirinha, retornamos ao camping. Não preciso nem falar que nossa barraca era o melhor lugar do mundo, né!?

Ah… Nós ficamos acampados no Camping do Rappa. Fica localizado próximo ao trevo de Paraty. Apesar da estrutura não ser lá grandes coisas, o atendimento que a Semira (dona) nos dispensou foi muito bom. Sempre atenta, apesar de o camping não fornecer café da manhã, quando ela via que nós tínhamos acordado, vinha logo com uma xícara de café. As fotos do camping estão aí abaixo… Faça a sua avaliação. Mas, apesar de eu ser muito chata, nós ficamos bem instalados lá. Só tivemos muito trabalho na hora de limpar a barraca… Montamos em baixo de uma árvore que, sem saber, estava repleta de ninhos de passarinho… Affff

 

Camping em Paraty. Camping do Rappa
About the author

Heloisa Gaspar

Analista de SEO por profissão. Motociclista por opção...

Readers Comments (3)

  1. Elizabete I. Avila 4 de setembro de 2016 @ 20:53

    Adorei conhecer esse blog! Ler os relatos é quase viajar junto de carona na narração super bem escrita da autora. Parabéns Heloísa Gaspar!

    Responder
  2. Adorei conhecer esse blog! Ler os relatos é quase viajar junto de carona na narração super bem escrita da autora. Parabéns Heloísa Gaspar!

    Responder

Leave a comment

Your email address will not be published.


*